domingo, 2 de maio de 2010

Desmistificando a cozinha francesa - Terceiro capítulo - Um franguinho "chic" - Coq au Vin.

Eis um dos pratos mais emblemáticos da França. A história do Coq au Vin ( frango cozido no vinho) remete à época do general romano Julio Cesar. Conta a lenda que havia uma aldeia Alvergne resistente à ocupação romana. O líder deste povoado enviou ao general um galo de briga, simbolizando a resistência francesa. Julio Cesar convidou-o para um jantar, em demonstração de cordialidade. Quando perguntado sobre o cardápio, Cesar respondeu:  " Jantaremos aquele galo, cozido lentamente no vinhoque é  produzido aqui em Alvergne."
Essa é uma das histórias deste prato, mas o que me parece mais razoável para sua origem é a busca do aproveitamento dos galos mais velhos do terreiro.
O segredo do Coq au Vin é o cozimento vagaroso em vinho tinto, para amaciar a carne da ave. Não é um prato caro, nem complicado de fazer.
Originalmente feito com o galo caipira e vinho da Borgonha, não deixe de experimentar com seu franguinho velho de guerra e o vinho tinto seco que tiver em mãos.

Vamos a receita:

3 dentes de alho descasacados
1 cebola
1 cenoura
Champignons Paris a gosto
fatias de bacon
1 alho-poró (somente a parte branca)
1 frango inteiro de 2 kg
1 garrafa de vinho tinto seco
1 dose de conhaque
manteiga
sal 
pimenta-do-reino a gosto
2 folhas de louro
2 ramos de alecrim fresco


Separe as partes do frango e tempere com sal e pimenta do reino.
Corte a cebola e a cenoura em pedaços grandes, junte o alho, o champignon, os teperos amarrados com barbante (para serem retirados depois), o frango e o vinho e deixe marinar por 2 dias na geladeira.
Separe o vinho, os legumes e o frango.
Numa panela grande, doure o bacon e os pedaços do frango na manteiga, acrescente o conhaque e flambe. Adicione os legumes, o tempero e o vinho e deixe cozinhar em fogo baixo por 45 minutos ou até que o frango estaja bem macio. Nota: ao maço de temperos amarrados com barbante se dá o nome de Bouquet Garni.

Sirva acompanhado de fettuccine na manteiga ou até mesmo arroz branco. E aquele franguinho de sempre virou um clássico prato francês!

sábado, 20 de março de 2010

Champagne, espumante, cava, prosecco e vinho frisante - Você sabe a diferença entre eles?


Uma dúvida muito comum entre as pessoas que descobrem e começam a apreciar vinhos brancos é com relação aos espumantes.
O Brasil produz vinho espumante da mais alta qualidade, muitos brancos admiráveis também. É importante ficar claro, principalmente na hora de comprar, qual característica tem cada tipo de espumante.

Vamos as definições:

ESPUMANTE- nome genérico dado aos vinhos com presença de gás carbônico. Todas as variações são espumantes, exceto o vinho frisante, que possui menos concentração de gás.
PROSECCO - espumante italiano elaborado na região do Veneto, norte da Itália (veja o mapa na aula sobre Itália). Leva esse nome por causa da uva que é utilizada na sua fabricação, que se chama Prosecco também.
CHAMPAGNE - É o mais nobre dos espumantes. Fabricado exclusivamente na região de Champagne, na França e por isso leva seu nome. São os rótulos de espumante mais caros do mundo, por e tratar de uma bebida superior.
CAVA - É o espumante fabricado na Espanha. São feitos com uvas típicas do Terroir espanhol (Parellada, Macabeo e Xarel lo) . Você encontra cavas com preços interessantes e boa qualidade.
VINHO FRISANTE - Vinho branco com presença de gás carbônico, porém em menor quantidade que os espumantes. O espumante tem de 4 a 6 atmosferas e o vinho frisante, menos de 3.
Os espumantes são uma bebida muito adequada ao clima tropical, com custo inferior à maioria dos vinhos e com boa versatilidade na hora de fazer uma harmonização. Experimente um bom espumante nos dias quentes. Tenho certeza que eles ocuparão muito espaço na sua adega. Um brinde!

terça-feira, 9 de março de 2010

Recôncavo Baiano - O "Terroir" do charuto brasileiro.

Entre os muitos produtos que nosso país produz com excelência, podemos citar os charutos baianos. Mesmo sem a mesma tradição de Cuba, o Brasil tem no recôncavo baiano o local ideal para cultivar tabaco da mais alta qualidade.

Nessa região estão instalados os produtores de charutos brasileiros, que cultivam dois tipos de fumo de alta qualidade: o Mata Fina e o Mata Norte. Eles estão classificados entre os melhores tabacos do mundo, com características próprias conferidas pelo solo e clima baiano.
O recôncavo ficou dividido em:

Mata Norte - O solo tem características de arenoso a argiloso e o nível pluviométrico é médio. Lá estão as cidades Coração de Maria e Conceição de Jacuípe. Produz um fumo aromático porém um pouco mais encorpado.

Mata Sul – Possui um solo rico mas bastante acidentado. Tem uma alta incidência de chuvas. As cidades de Castro Alves, Santo Antonio de Jesus e Amargosa se localizam nessa área. O fumo é suave, aromático e levemente adocicado.

Mata Fina –Localizada ao centro do recôncavo, possui o melhor “Terroir”. Lá se planta o mata fina e o mata São Gonçalo. É um local de solo predominantemente arenoso e um índice pluviométrico alto. O fumo dali é considerado o melhor e é o mais usado na produção dos charutos nacionais. Também bastante suave e aromático, é considerado um dos melhores do mundo.Os melhores produtores brasileiros estão instalados por lá, nas cidades de São Félix e Cruz das Almas.

Muitos charutos nacionais tem a capa (folha externa que confere acabamento ao charuto) feita com outros tipos de tabaco, como o americano Connecticut ou o mexicano Sumatra. Mas seu enchimento é totalmente nacional, conferindo características que só o “terroir” baiano possui. Boas baforadas!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Desmistificando a cozinha francesa - No segundo capítulo , o primo francês do misto quente, Croque Monsieur!


Ta cansado de comer pipoca? Croque Monsieur!
 Sabia que o nosso misto quente tem um primo francês? Seu nome é Croque Monsieur. Lanche tradicional dos bistrôs de Paris, é um sanduíche a base de presunto e queijo, com uma característica fundamental: tem que ser crocante.
O Croque Monsieur teria aparecido pela primeira vez em 1910 no menu de um café parisiense situado no Boulevard dês Capucines. Em 1919, Marcel Proust fez referência a ele no seu livro “A l’ombre des jeunes filles em fleurs”. Seu nome foi criado devido ao barulho de quando se morde o sanduíche – “CROQUE”.
Para se conseguir a crocância desejada é necessário um forno bastante competente (ou seja, quente).

Vamos aprender a fazer essa delícia francesa pra variar um pouco o lanche na hora daquele DVD com a namorada.
Para dois sanduíches você vai precisar de:

Quatro fatias de pão (brioche é o ideal, mas da pra fazer com pão de fôrma)
Duas fatias de presunto
Queijo gruyère ou emmental ( mas não deixe de fazer se só tiver mussarela)
200 ml de creme de leite fresco
2 ovos
sal
pimenta do reino


1 - Pré-aqueça o forno em temperatura alta.
2 – Numa tigela, junte o creme de leite e os ovos batendo com um garfo pra misturar. Adicione sal e pimenta do reino.
3 – Despeje um pouco desse creme sobre a primeira fatia do sanduíche para umidecer o miolo.
4 – Coloque queijo sobre as fatias e depois o presunto.
5 – Umideça a fatia que vai por cima com o creme.
6 – Sobre o sanduíche fechado despeje mais creme e depois cubra com queijo.
7 – Asse diretamente na grelha do forno para ele gratinar por inteiro.

Sirva essa delícia com uma salada de alface Frisée (ou use o que você tiver) temperada a seu gosto. Eu utilizo bom vinagre, azeite e sal. E adeus para a pipoca!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Uma festa justíssima. Mas pegou mal...

Cerveja e charuto na festa do ouro olímpico no hockey

Essa semana os charutos estiveram no foco da mídia internacional graças a dois fatos no mínimo curiosos.
Primeiro na “festa” do ouro olímpico das meninas da seleção de hockey do Canadá. Após a partida e a conquista do primeiro lugar, ainda em quadra, elas descambaram a beber e fumar charutos. Uma comemoração justíssima, não é sempre que se ganha uma medalha de ouro olímpica. Com toda certeza esse tipo de comemoração é normal entre os campeões de várias modalidades esportivas.
Cerveja e charutos na festa do ouro olímpico no hockey.

Mas cabe aquele velho ditado: “O que os olhos não vêem o coração não sente”. O hockey já não tem uma reputação das melhores, tem fama de esporte violento. Uma atitude como essa não pegou nada bem. Muitas nem tem idade legal para consumir cerveja. Acredito que aquele local e hora eram impróprios para degustar um delicioso puro cubano. Tão impróprio quanto o charuto que Diego Maradona fumou em pleno treino da Argentina na Alemanha. Pegou mal também. Sorte que sua seleção ganhou o jogo.
Por mais refinado que um bom charuto possa ser, existem situações que ele pode ser muito inconveniente.
Sempre que for fumar, certifique-se de que não irá incomodar ninguém, se o local é apropriado e a ocasião permite que se fume. Se isso não acontecer, guarde seu amigo puro para quando estiver a vontade em casa. Valorize seu charuto. Fume com responsabilidade. Boas baforadas!

terça-feira, 2 de março de 2010

A água deve acompanhar o vinho sempre? Por que?

Sempre que tomamos vinho, seja num jantar, numa degustação ou apenas para bebericar, nunca esquecemos da boa e velha água. É uma regra pré-estipulada: a água acompanha o vinho.
Não vamos aqui determinar em qual momento ela deve ser ingerida, acho que seria demais. Quero apenas lançar uma reflexão sobre o seu verdadeiro papel como acompanhante dos tintos e brancos.
Aquela conversa de que é preciso limpar as papilas gustativas para que se perceba o real sabor do vinho até procede, em situações onde o foco seria apenas a degustação e análise do vinho. Mas num jantar onde se tenta harmonizar comida e bebida não lhe parece estranho colocar a água entre esses dois elementos?
Uma das mais famosas dicas de casamento entre vinho e comida é a de escolher uma bebida tânica para um prato rico em sabor e gordura. A bebida vai limpar a gordura das papilas gustativas com a mesma intensidade de sabor do alimento. Não vejo até ai lugar para a água. Acho até que ela não viria nem depois do gole de vinho, muitas vezes com sabor persistente (longo) como uma de suas maiores qualidades. Pra que perder isso?
Mesmo assim ela continua lá, em seu copo, ao lado de seu parceiro cor rubi. Alguma importância ela tem que ter... e tem! Bebida alcoólica desitrata o corpo. Numa refeição regada a vinho a água serve para reidratar. É recomendado ingerir a mesma quantidade de água que se bebe de vinho, não necessariamente intercalada gole a gole. Se, ao final da refeição, a água e o vinho foram consumidos em quantidades semelhantes, a hidratação foi feita com sucesso. Um tiro certeiro na ressaca do dia seguinte caso não resista a uma taça além da conta. Um brinde!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Preparando a Brigada - Aula 2 - A França!

Falar da França é falar do principal país produtor de vinhos do mundo. Como nossa proposta é passar informações básicas visando uma assimilação rápida, vou me ater às duas principais regiões:  Bordeaux e Borgonha.
 Bordeaux se localiza na parte oeste da França, e é cortada pelo rio Gironde. Na sua margem  direita  encontramos regiões tradicionais como Médoc, Pauillac, Margaux e mais a sul Sauternes, onde é produzido um vinho branco doce muito famoso,  acompanhamento clássico do foie gras.  Já na margem esquerda, temos Saint-Émilion, Pomerol  entre outras.
As uvas predominantes de Bordeaux são a Merlot e a tradicional Cabernet Sauvignon, a uva mais "globalizada" do mundo.
Os vinhos dessa região são potentes, aceitam longa guarda e, na sua maioria, possuem preços altíssimos.
 Ja  a Borgonha fica a sudeste de Paris, entre as cidades de Lyon e Dijon. Nela encontramos as regiões de Côte D'Or, Côte de Nuits, Beaujolais e mais desgarrada, ao norte, Chablis, local de produção de um Chardonay muito apreciado pelos amantes de vinho branco.
As uvas tintas predominantes nessa região são a Pinot Noir e a Gamay, que produzem vinhos mais delicados e leves, mas não menos caros que os de Bordeaux.
No rótulo dos vinhos franceses se encontra escrito a região de sua procedência. Com as informações acima já se pode identificar algumas delas. Porém existem outras que não serão citadas. Temos então uma segunda maneira de saber se o vinho é de Bordeaux ou da Borgonha: pelo formato da garrafa. Se a garrafa tiver o formato padrão, provavelmente é um Bordeaux. Se ela tiver o formato parecido com as de espumante, mais larga e com gargalo mais longo será um Borgonha.
A uva Shyraz também é muito cultivada na França, principalmente nas margens do Rhône. Também temos que citar a região de Champagne, com seu espumante conhecido no mundo todo.
Acredito que essas sejam as informações básicas necessárias para uma primeira apresentação deste país tão rico e tradicional na produção de vinhos.

Reflexões sobre o vinho - parte 2 - Formando um "banco de dados".

Nunca é tarde para começar a apreciar vinhos. Mas a entrada nesse mundo pode ser intimidadora.
Nas várias publicações sobre o assunto encontramos informações no mínimo curiosas:  "aroma de borracha queimada" ou então  "remete ao cheiro de grama molhada". Convenhamos que seria necessário um olfato canino para chegar a tais conclusões.
As notas de prova, geralmente anotadas pelo expert Robert Parker, podem dar alguma noção de qualidade no preparo da bebida. Notas mais altas espera-se um vinho melhor, notas mais baixas remetem a uma pior qualidade. Pode ser, mas acho impossível descrever um sabor através de um número.
Podemos ter algumas pistas sobre o vinho nos rótulos, relacionando informações sobre terroir, tipo de uva e ano da safra, mas é necessario que se saiba quais as melhores uvas para determinada região e, se possível, quais as condições climáticas dessa região no ano da colheita da safra indicada. Isso ajuda muito, quanto mais se lê, se estuda, mais informado o  consumidor fica. Mais informado significa estar melhor preparado para comprar.
Tudo que pudermos ler sobre o assunto ajuda, mas nada substitui a degustação, a prova. Se você se considera um desinformado sobre vinhos, minha dica é:  leia bastante, mas prove também, e se possível, variando sempre. No início, o mais interessante é experimentar diferentes tipos de varietais (feitos com apenas uma variedade de uva). Assim poderá comparar aromas, acidez, cor e sabor, tirar conclusões e armazenar informações para uma futura comparação.
Só praticado, provando vinhos sempre é que se chega a uma opinião mais sólida sobre o que se está bebendo.
Para  tomar um ícone da Itália como um barolo ou um brunello por exemplo e ter a real noção da qualidade do produto, seria importante ja ter passado por várias outras experiências. Será evidente a diferença de corpo e potência entre um vinho superior e outro do dia a dia.
Começe (e mantenha sempre esse costume) garimpando bons "custo-benefício". Não compre vinhos muito caros, não é a hora ainda. Eu procuro gastar nas minhas buscas no máximo 50 reais. É muito divertido procurar boa bebida barata. E quando se acha então, que alegria!
Divirta-se, tem um mundo todinho a ser descoberto. Um brinde!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Desmistificando a cozinha francesa - No primeiro capítulo, um típico almoço parisiense: Steak au Poivre

Uma fatia tirada do centro do filet mignom ao molho de pimenta, acompanhado de batatas fritas e, em algums casos, aspargos frescos. Um prato muito simples mas que ganha glamour se degustado nos tradicionais bistrôs de Paris. Convenhamos que o filet mignom não é uma carne muito barata, mas se comprada na quantidade exata e for bem trabalhada, pode custar o mesmo que muitos pratos comuns do dia a dia.
Antes de falar sobre a execução da receita, que por sinal é muito simples, vamos falar um pouco sobre a história desse famoso prato francês.
Quando os novos ricos dos Estados Unidos começaram a frequentar assiduamente Paris, entre os séculos 19 e 20, gastando dinheiro à beça em bebidas e comidas, os chefs e donos de restaurantes franceses perceberam que convinha agradar aos forasteiros. Tinham hábitos diferentes: bebiam coquetéis, uísque e destilados em geral antes das refeições, adoravam as carnes, abusavam dos condimentos e, encerrados os excessos alcoólicos, acompanhavam a comida com refrigerantes ou leite puro, em vez de vinho.


Não por acaso, a mais famosa receita que os franceses prepararam para eles foi originalmente chamada de Steak au Poivre. Ninguém sabe onde nasceu e foram tantos os candidatos a sua autoria que os historiadores gastronômicos acreditam ser prato de invenção anônima, surgido em vários lugares.

Já no século 1º, o gastrônomo romano Marco Gavio Apicio, autor do clássico De Re Coquinaria, recomendava o emprego da pimenta para disfarçar o mau cheiro das carnes faisandées, ou seja, deixadas maturar até o começo da decomposição. No século 14, o chef francês Guillaume Tirel, o Taillevent, autor do Le Viandier, fez algo parecido.

Em 1950, porém, Émile Lerch, chef do Restaurant Albert, de Paris, causou grande polêmica ao reivindicar sem rodeios a paternidade da receita em artigo publicado na La Revue Culinaire, também da capital francesa. Garantiu que a inventara em 1930. Na época, trabalhava no restaurante pertencente a Albert Blazer, futuro maître legendário do Maxim"s, de Paris. Lerch contou que recebera um lote de carne bovina dos Estados Unidos e não sabia o que fazer com o produto. Apesar da ótima aparência, carecia de sabor, problema atribuído à técnica ainda precária de congelamento. Vendo no salão um grupo de americanos que bebia um coquetel atrás do outro, consultou o patrão sobre o tipo de comida que deveria oferecer-lhes e ouviu o seguinte conselho: "Esses clientes devem ter o paladar ardendo? Dê-lhes um filé com muita pimenta, senão não perceberão nenhum sabor." Ali teria nascido o steak au poivre, hoje mais conhecido por filé au poivre. O nome inicial, em duas línguas, homenageou sua origem. Steak, palavra inglesa, para os americanos, significa bife. Poivre, francesa, designa pimenta.

Assim que La Revue Culinaire foi distribuída começaram a chegar cartas à redação, contestando a versão de Lerch. Pierre Tassard, chef do Maxim"s, ficou indignado. Garantiu ser o verdadeiro autor do prato. Ele o teria criado entre 1919 e 1920, para os mesmos clientes americanos. Elaborava-o igualmente para os ingleses, também bebedores de destilados antes das refeições. Outros três cozinheiros se disseram donos do filé. M. Devaux garantiu ter desenvolvido a receita na década de 20, quando trabalhava no restaurante do Hotel Royal Monceau, de Paris. O. Becker afirmou que a criou em 1905, na cozinha do Paillard, da mesma cidade. Gastón Comte sustentou que a inventou em 1910, no restaurante do Hotel de Paris, em Monte Carlo. Nesse caso, a capital francesa não seria o berço da receita. Mas os clientes continuariam os mesmos: os americanos entornadores de coqueteis.

Vamos agora preparar o tal Steak au Poivre. Anote os ingredientes (para duas pessoas):

4 medalhões de filet mignom de 5 cm de altura mais ou menos
1 colher de sopa rasa de pimenta do reino em grãos
1 dose de whisky ou conhaque
250 ml de creme de leite fresco
200 ml de caldo de carne.
manteiga
sal

1- Quebre levemente os grãos de pimenta, pressionando sobre elas a lateral da lâmina da faca.
2- Tempere os dois lados do medalhão com sal e a pimenta.
3- Aqueça a manteiga e grelhe os medalhões com a pimenta  virando-os apenas uma vez. Tenha paciência nesta etapa, controle o ponto pelas laterais da carne.
4- Faça um deglacê da frigideira com o conhaque desta forma:  retire a frigideira do fogo e acrescente a bebida. faça movimentos circulares com a frigideira para que o líquido "limpe" o fundo da panela.
5- Agora você vai flambar o conhaque: Volte a frigideira para o fogo e incline-a levemente como se quisesse derrubar o conhaque na boca do fogão. Irá pegar fogo na bebida. Deixe que se apague naturalmente.
6- Acrescente o caldo de carne misturando bem.
7- Acrescente o creme de leite e deixe incorporar o molho.

Para montar o prato, coloque dois medalhões de um lado do prato, um apoiado no outro, cubra com o molho e ponha do outro lado batatas fritas.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Vinhos presidenciais

Essa foi boa: O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em uma série de viagens com o presidente Lula, teria ficado assombrado com a má qualidade dos vinhos servidos no avião presidencial, também conhecido como "Aerolula".
Não acreditando na capacidade dos militares e assessores da presidência, responsáveis pela preparação da aeronave, em montar uma adega de qualidade para as viagens, teria tomado a atitude de levar consigo vinhos da mais alta categoria.
Quando indagado sobre a questão ele respondeu: "Olha.... só a primeira parte dessa história é verdadeira".

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Charutos - De Cuba para o Mundo.

É uma história muito curiosa. Os próprios fabricantes de Cuba  fazendo concorrência aos seus famosos "puros".
Com a revolução, as propriedades produtoras de tabaco acabaram sendo confiscadas e controladas pelo governo de Fidel. Os proprietários não viram outra alternativa senão o exilio. Muitos produtores continuaram  suas ativdades em outros países. Republica Dominicana, Nicarágua, Brasil entre outros foram os países que evoluíram muito em qualidade com a chegada dos produtores de origem cubana.
Por aqui, podemos citar a empresa de Félix Menendez, que produz o mais emblemático charuto nacional, o Dona Flor. Alonso Menendez (pai de Félix) começou então a produzir seus charutos na Espanha, comprando o tabaco de vários locais entre eles da Bahia,  que considerou de ótima qualidade. Logo se uniu a Mario Amerino, um tradicional produtor de tabaco brasileiro e ai sim iniciaram a Menendez & Amerino, localizada no recôncavo, tendo seu produto totalmente nacional, desde a matéria prima até a manufatura.
Esse é apenas um dos exemplos de fabricas de charutos que surgiram graças ao golpe de Fidel.


                      Amerino e Menendez no meio de sua plantação.

Os Estados Unidos, com seu embargo econômico, acabou criando o maior exportador de charutos do mundo, maior que a própria Cuba, a República Dominicana. É proibida a venda e consumo dos puros no país do Tio Sam, que é o maior consumidor de charutos do mundo. A principal opção de compra dos americanos é a República Dominicana, tendo nos charutos de Arturo Fuentes o campeão de vendas.
Para os apreciadores  tudo isso acabou sendo maravilhoso. Os cubanos com seus lendários puros estão agora dividindo as prateleiras das tabacarias com milhares de outros exemplares maravilhosos de diversas partes do mundo, inclusive o Brasil.
Boas baforadas!

Preparando a Brigada! Aula 1 - Itália

Este mês começaremos uma série de aulas básicas para treinamento de uma brigada iniciante ou para quem está começando e quer ter algum conhecimento para poder entrar num restaurante ou adega e pedir seu vinho conscientemente.


As aulas serão divididas por regiões produtoras (Itália, França, Chile, Argentina e Brasil), falando das principais uvas de cada uma delas. Num segundo momento falaremos de classificação e rótulos, harmonização e táticas de venda, visando uma total satisfação e fidelidade do cliente. São poucas informações, para rápida assimilação, mas que podem fazer toda a diferença em situações de trabalho ou no dia a dia.

Começaremos nossa viagem pela Itália. Jamais poderia esquecer das inúmeras regiões desse país tão importante no mundo da gastronomia como a Sicília com seus vinhos Nero d'Avola ou o tão comum Lambrusco da região da Emília Romana, mas vou me ater a três regiões que considero como principais para nosso mercado: o Piemonte, o Veneto ea Toscana.

No Piemonte, região noroeste da Itália, temos duas cidades muito presentes nos rótulos da região, que todo mundo que compra vinhos italianos já viu: Alba e Asti. Em torno dessas duas cidades são plantadas as uvas Barbera, Dolcetto e Nebiollo (essa última que produz o lendário Barolo). Quando lemos "Dolcetto d'Alba" ou então "Barbera D'Asti", temos a informação da uva e local de sua produção. Podemos ter a informação da uva nos vinhos "Barolo", pois iremos associá-lo agora à cepa Nebiolo.

Os Barolo são vinhos mais caros e pedem uma guarda mais longa. Os Barbera também se prestam à Guarda, mas muitos já se encontram prontos para consumo. Não tem o mesmo impacto dos Barolo, mas são uma ótima pedida e tem preços mais accessíveis. Já os Dolcetto são mais frutados, muitos sem estágio em carvalho, pela característica da uva (Dolcetto = docinha) são de pouca guarda e de menor preço, porém muito agradáveis.

Na região Nordeste, onde se localiza a cidade de Veneza, encontramos o Veneto. Alí São Produzidos três vinhos muito conhecidos dos brasileiros: o Valpolicella, Bardolino e os refrescantes o Prosecco. Nas margens do rio Adige, feitos com o corte de três cepas (Corvina, Rondinella e Molinara) estão localizados os Valpolicella (margem direita) e os Bardolino (margem esquerda). São vinhos facilmente encontrados por aqui, mais suaves e frutados. Os Prosecco ficam mais a Nordeste da região, feitos com a uva do mesmo nome. De preços interessantes, são ótimos para o nosso clima tropical.

A última região  que vamos abordar é a Toscana. Lá se produz os famosos Brunello, na região de Montalcino, vinhos caros e de longa guarda, feitos com um clone da uva Sangiovese, típico da região. A Sangiovese também é utilizada na produção dos vinhos "Nobiles de Montelpuciano" de preços levemente inferiores, mas potentes e boa de guarda. Os Vinhedos ao longo do caminho entre Siena e Firenze são os lendários Chianti. Os lotes privilegiados e de longa tradição recebem uma denominação "clássico" e um selo com um galo negro na garrafa. Esses vinhos são mais caros e levam uma maior porção da Sangiovese em sua composição. O mais simples Chianti também recebe outras cepas, tem ótimo preço e é o parceiro ideal das massas e pizzas.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Reflexões sobre o vinho - Parte 1 - Paguei mais caro no vinho do que na comida... o que fiz de errado?

Olá amigos!
Quem ja não saiu pra jantar e percebeu que o vinho foi o item mais caro na conta?
Mas será que isso esta errado?...  Depende...
Acho que tem que se colocar tudo na balança: a comida, o momento, a companhia, a data, o gosto pessoal de quem vai jantar, a política de preços praticada pela casa (tema de outras reflexões), enfim, tudo.
O mercado de vinhos esta aberto e em franco crescimento. Os garçons estão melhor preparados e as cartas cada vez mais completas e bem elaboradas. Em resumo, o serviço esta se aperfeiçoando, agregando valor ao produto e incentivando o cliente a consumir vinho.
A tentação é grande, mas com um pouquinho de bom senso e informação podemos fazer ótimos pedidos e valorizar o jantar.
Vinhos simples mas bem elaborados estão presentes nas boas cartas da cidade e nas prateleiras dos empórios e adegas, basta descobri-los!
Um vinho honesto mas que não carrega um rótulo tradicional, quando pedido e degustado pode trazer enorme satisfação, não apenas pelas suas qualidades como bebida, mas pelo simples fato da descoberta.
Faça isso! Pesquise, arrisque, siga sua intuição, suas informações.
Vai sentir enorme prazer em conhecer o lado simples do mundo dos vinhos.
Não ha necessidade de se gastar muito em dias corriqueiros. Aproveite esses dias para descobrir!
E fica uma frase pra reflexão:
"Jantares especiais podem ser regados com um vinho simples e honesto, mas um grande vinho exige um grande momento".
Um brinde!